Pra que fazer, se não sabe???

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Ontem estive em um shopping de Salvador com minha esposa, que procurava um presente pra sua mão (minha sogra). O shopping em questão tem foco na classe A. Dentre as muitas lojas de roupas em que entramos, uma me chamou a atenção pela decoração, lembrando um desenho saído de livros de estórias.

A vendedora nos atendia e percebí que ela estava um pouco ansiosa. Não sei se era novata ou se precisava bater sua meta do dia, mas a verdade é que ela estava um pouco trêmula, falando rápido e trazendo inúmeras opções de blusas que poderiam se encaixar no que minha esposa procurava. Até aí, nada demais.

Porém, enquanto cruzavamos a loja de um lado para o outro, notei uma mesa com um bolo de chocolate enorme, desses cheios de coberturas e "acessórios". Ao lado do bolo, um balde com uma garrafa de champagne, outra de Coca-Cola Zero, taças, copos, pratinhos e garfos. Eu, que sou um comilão assumido, apaixonado por bolos, sussurei pra minha esposa:

(Eu) "Pra quem é esse bolo e essa champagne?"
(Esposa) "Deve ser para os clientes"
(Eu) "E nós somos o que?"
(Esposa) "Ah, eles só devem servir pra quem compra"
(Eu) "Isso é pouco inteligente... se nos oferecessem antes, nossa probabilidade de comprar aumentaria..."

E continuamos andando pela loja. Enquanto a vendedora mostrava as camisas eu me mantinha hipnotizado pelo bolo. E isso foi me deixando incomodado e comecei a querer ir embora. Minha esposa percebia e dava risada. Então pensei: "Se eu sentar neste sofá e começar a folhear uma revista, a vendedora vai se tocar e me oferecerá o tal bolo. Afinal, se me sentei é porque estou cansado. E se ela me servir o bolo, fico mais tranquilo e não peço pra ir embora". Sentei, peguei uma Caras pra ler e nada. E olha que eu vinha de uma reunião, estava bem vestido, de paletó. A vendedora não tomou iniciativa, a gerente não tomou iniciativa, ninguém tomou iniciativa alguma. Só minha esposa percebeu, virou-se para a vendedora e fuzilou:

(Esposa) "Aquela torta alí é só de enfeite???"
(Vendedora) "Não, está alí à disposição de vocês, clientes. Vocês desejam um pedaço?"
(Esposa) "Não, obrigada"

Virou-se pra mim e perguntou:

(Esposa) "Você quer?"
(Eu) "NÃO! Vamos nessa?"

E saímos dalí sem comprar nada. "... está alí à disposição de vocês..."??? Ela queria que eu pegasse??? Queria que eu pedisse??? No momento em que ela percebeu que existia interesse de compra, ela deveria ter oferecido o mimo, como forma de encantar o cliente, aumentando o valor percebido da loja e dos produtos que vende.

Fazer só por fazer, sem planejar e orientar a equipe pode trazer resultados desastrosos. E ainda tem gente que pergunta: "Pra que consultoria???"

Diogo Francischini
www.luzcameravenda.com.br