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A revista VendaMais acaba de lançar uma ferramenta muito bacana de relacionamentos. Trata-se da Comunidade VendaMais, espaço onde profissionais de vendas e marketing se cadastram, adicionam pessoas a suas redes, participam de comunidades, publicam e lêem artigos e participam de fórums de discussão.

Excelente iniciativa, vale à pena conferir e aumentar o network!

O endereço é www.comunidadevendamais.com.br.

Diogo Francischini
www.luzcameravenda.com.br

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Sei que essa paródia não é nova. Aliás, acredito haver dezenas delas com a mesma intenção. É interessante, pois na primeira vez em que me veio à cabeça a possibilidade de transformar a música 'É Preciso Saber Viver' em 'É Preciso Saber Vender', há pouco mais de 1 ano, pensei: "Como é que ninguém ainda pensou nisso?". Mal sabia eu que TODO MUNDO já tinha pensado nisso. Só descobri isso depois de tê-la escrito. Se soubesse antes, provavelmente não teria feito.

Enfim, desde pequeno sempre adorei fazer paródias, tanto de músicas quanto de filmes. O fato de eu ser músico nato sempre fez com que eu fosse bastante cuidadoso nas minhas paródias em preservar o máximo da música original, especialmente os tempos vocálicos. Talvez esse seja o único diferencial da minha versão para essa música, mas não acredito que isso a torne melhor que as outras.

Então, sem nenhuma pretenção, aqui vai. Encontrei-a hoje por acaso e resolví postá-la aqui. Quem gostar, pode usar à vontade.

É Preciso Saber Vender (versão de Diogo Francischini)

Quem espera que o cliente
Caia sempre em sua mão
Pode até estar maluco
Ou ter pouca ambição
E preciso bater metas
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber vender

Concorrentes no caminho
Você pode superar
Se o cliente tem espinhos
É melhor não descuidar
Quem é forte não desiste
Pois o foco é vencer
É preciso saber vender

É preciso saber vender
Saber vender...

Diogo Francischini
www.luzcameravenda.com.br

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Faz cerca de 1 ano e meio que frequento o mesmo salão pra cortar o cabelo. Na verdade, corto com a mesma pessoa há 11 anos! Pois bem, como toda empresa prestadora de serviços que foca na excelência, eles se esforçam em me conhecer melhor, a fim de poderem me proporcionar conforto e bem-estar.

Na primeira vez que fui ao salão, um garçom bem vestido me perguntou: "O Sr. aceita um café, um chocolate ou um cappuccino?". A palávra "cappuccino" sempre sôa como música em meus ouvidos, pois é uma de minhas paixões. Respondí que queria um cappuccino. Ele me trouxe um delicioso e cremoso capuccino acompanhado de 2 sequilhos. Na segunda vez, tudo aconteceu da mesma maneira. Porém, a partir da terceira, a coisa já ficou um pouco diferente: "Posso trazer o seu cappuccino?".

Além disso, perceberam rapidamente os tipos de revista que eu gostava de ler e o tempo que eu gostava de passar lavando o cabelo (quanto mais, melhor). Instalaram rede wi-fi e outros "mimos" para clientes exigentes.

Bem, mas com tudo isso, uma coisa realmente chamou a minha atenção na semana passada, fortalecendo o conceito de que encantar o cliente pode custar menos do que se imagina. Levei minha esposa para esse salão e fiquei aguardando enquanto ela fazia as unhas. Então, o garçom se aproximou de mim e perguntou: "O Sr. aceita uma água?". Fiquei desapontado. Teria eu menos prestígio naquele momento por não estar utilizando diretamente os serviços do salão? Então respondi:

- (Eu) Não, eu quero um cappuccino.
- (Garçom) Me desculpe, hoje não vou poder trazer o seu cappuccino, pois a máquina está quebrada.
- (Eu) Poxa, tudo bem, então, traz a água.

Fiquei com uma expressão desapontada, mas compreendi que isso pode acontecer e não seria razão para arranhar minha admiração pelo local.

Percebí, porém, que o garçom ficou extremamente incomodado com a situação. Passei a observá-lo e ví que ele conversava com a gerente, como se estivesse pedindo algo, argumentando. Voltei à minha revista e parei de prestar atenção nele.

Em poucos minutos, eis que surge o garçom com uma bandeija contendo um cappuccino acompanhado de 2 sequilhos. Ele disse:

- (Garçom) Sr. Diogo, fui buscar este cappuccino na cafeteria aqui ao lado. Não sei se está igual ao nosso, mas o Sr. não pode ficar sem o seu cappuccino.

Realmente, não estava tão bom quanto o deles, mas sem dúvida eles conseguiram, mais uma vez, superar as minhas expectativas. Quanto será que custou, para o salão, aquele cappuccino? E quanto vocês acham que ele valeu pra mim (cliente)???

Diogo Francischini
www.luzcameravenda.com.br

Semana passada estava em um cliente onde inicio um processo de consultoria. Empresa de grande porte, expandindo suas operações para outras regiões. Estavamos elaborando uma matriz de atitudes que passariam a ser cobradas da equipe comercial.

Então, em um determinado momento, o diretor geral da empresa falou:

- (Diretor) Vestir a camisa da empresa.

Parei e fiquei olhando nos olhos dele e perguntei:

- (Eu) Vestir a camisa da empresa? Como Assim?

- (Diretor)É, vestir a camisa. O vendedor tem que vestir a camisa. Acreditar na empresa, estar sempre do lado dela e defendê-la como se fosse sua. Tem que carregar a empresa no coração.

- (Eu) Entendi...

Fiz um breve silêncio, encarando-o, e me posicionei:

- (Eu) Muito bem, concordo que "vestir a camisa" é importantíssimo. Uma equipe que veste a camisa tem muito mais propriedade para defendê-la e concretizar vendas. Mas, antes de exigir que o vendedor "vista a camisa", eu pergunto: o que a empresa vem fazendo pelo vendedore para que ele vista a camisa? Ele encontra aqui um ambiente acolhedor, que o faz sentir parte de uma família? Ele sente que a empresa está para ele quando ele precisa? O incentiva e lhe dá ferramentas pra crescer? Ele se sente reconhecido e vê pespectivas de crescimento na empresa?

O diretor me olhava sério, imóvel, como se seus olhos perfurassem os meus. Coneinuei:

- (Eu) Podemos cobrar atitudes, mas o coração de cada um deve ser conquistado. Para que eles realmente "vistam a camisa", precisamos conquistar seus corações.

O diretor continuou me olhando por alguns segundos. As outras duas pessoas que participavam da reunião (gerente de RH e gerente de Marketing) pareciam desconfortáveis e ligeiramente tensos, com aquele olhar de "concordo com ele, mas não tenho coragem de falar".

Então o diretor balançou a cabeça e falou:

- (Diretor) É, vamos deixar esse negócio de "vestir a camisa" para um outro momento... Ainda não é hora de cobrarmos isso...

Acho que ele entendeu!

Diogo Francischini
www.luzcameravenda.com.br

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Há algumas semanas, um supervisor comercial de uma grande empresa me ligou pedindo uma proposta de treinamento para a equipe de vendas. Disse que estavam um projeto para impulsionar resultados e o treinamento seria parte crucial. Enviei a proposta e aguardei.

Há alguns dias, o governo decretou a redução de impostos em alguns setores e consequente aumento em outros. Essa empresa em questão faz parte do segmento que sofreu aumento de impostos, mas não fiz nenhuma assossiação quando a notícia foi divulgada. Cerca de dois dias depois da notícia, o supervisor comercial me liga dizendo:

"Olha, vamos ter que parar com o projeto. O governo decretou aumento de impostos e a matriz ligou mandando suspender tudo até que a turbulência passe".

Respondi que tudo bem, que estaria à disposição quando precisassem, mas deixei uma questão no ar para ele discutir com seus superiores: "Se os impostos aumentam, o preço aumenta, certo? Se os preços aumentam, torna-se mais desafiador vender, certo? Então, consequentemente, passa-se a exigir um melhor desempenho da equipe de vendas, certo? E a decisão da matriz é cancelar o treinamento e as ações de alavancagem??? Não me parece muito óbvio...".

Pra subir uma ladeira, nós às vezes precisamos reduzir a marcha, mas pisar no freio não costuma ser uma boa idéia...

Diogo Francischini
www.luzcameravenda.com.br

Minha esposa me mandou este texto de Rubem Alves e o achei simplesmente espetacular! Ótima reflexão para todos nós.

Para aqueles que ainda não conhecem, vale à pena conferir:

Escutatório

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”.Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”.Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”.E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... (O amor que acende a lua, pág. 65.).

Rubem Alves http://www.rubemalves.cocutatorio.htm